Profissão: Críticos de redes sociais

Eu já fiz isso. Você também.
Hoje é a profissão mais popular, sem salário e com horas extras: os críticos de redes sociais.

O que nos leva a cruelmente criticar cada aspecto da vida de alguém? O que nos torna especialistas em como alguém deve viver, agir, pensar, criar e ser?

Acontece que não é um trabalho novo. É um trabalho mutável. Antes, consumíamos conteúdos criticáveis em revistas de fofocas. Britney Spears e a Princesa de Gales, Diana, são as provas vivas de que a sociedade pode te massacrar pelo esporte de falar sobre você. Era quase uma compulsão, conseguir conteúdos sobre os aspectos das vidas de celebridades, a ponto de nos sentirmos tão íntimos e integrados em suas vidas que achávamos um absurdo eles se fecharem para o público e pedirem privacidade. Nem mesmo a tragédia de ambas as figuras publicas que usei de exemplo nos refrearam. A princesa morreu de forma trágica fugindo dos paparazzi. A cantora teve um colapso nervoso em frente as câmeras e ninguém ajudou.

Em algum ponto, as redes sociais foram a libertação para esses artistas. Ali, eles continuavam objeto de grande interesse, mas tinham uma ferramenta poderosa em mãos: o poder da escolha sobre o que compartilhar. Um grande exemplo disso é a família Kardashian, o programas delas Keeping Up With the Kardashians nos permite uma proximidade com a família e seus dramas, e suas redes sociais sempre alimentam isso, mas existe uma barreira, entre elas e seu público, já que elas escolhem exatamente o que compartilhar e quando compartilhar.

Essa ferramenta mágica que aproxima Hollywood de pessoas normais se tornou também um canal para ataques. Ao permitir a proximidade, ao exporem suas vidas, as celebridades abriram, sem querer, a possibilidade das pessoas opinarem a cada passo que davam. Os julgamentos, antes concentrados em fofocas entre pessoas, ao lerem as revistas, foram transcritos em comentários, tweets… O público não entendeu que a parede que os separava e distanciava dos seus ídolos não ruiu apenas porque eles criaram uma conta no instagram. E o público também deixou de entender a diferença entre crítica e ataque.

Esse costume de julgar os famosos ficou tão incrustado na população que ao vermos um post de um amigo ou de um desconhecido, nos sentimos na liberdade de confrontar se não concordamos, de criticar se não gostamos. Acontece que a permissão não foi dada, e que a parede continua erguida, entre nós e as celebridades, entre nós e desconhecidos. O simples fato de alguém postar algo não nos da permissão para fazer uma crítica violenta.

Outro ponto que soma, é o fato das pessoas ultrapassarem a tênue linha entre liberdade de expressão a ataques gratuitos. A crítica deixou de ser construtiva e passou a ser um ataque. Utilizamos o canal de comunicação para descontarmos toda a frustração que temos em nosso dia-a-dia. Utilizamos os espaços de comentários para sermos deliberadamente maldosos e cruéis.

E virou algo automático. Quando foi a última vez que você fez um comentário legal e bondoso? Que viu uma foto bonita e que seu primeiro pensamento não foi algo negativo? Quando foi que nos tornamos venenosos e cruéis?

As redes sociais nos aproximam e nos afastam. Nos deixam felizes e tristes. Criam expectativas e as destroem com a mesma velocidade em que carregamos uma foto. Somos reféns delas, e somos seus escravos. E não sabemos utiliza-las para o bem.

Então proponho um exercício: quebrar o ciclo. Curta uma foto e comente com bondade. Elogie alguém. Espalhe o bem.

 

Com amor, Maria

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