Resenha: Notas de Liberdade – Fred Elboni

Confesso que sou o tipo de leitora que julga pela capa.

Dito isso, Notas de Liberdade do Fred Elboni (BENVIRÁ; Edição: 1 – 30 de novembro de 2017) me chamou atenção pela cor alegre e pelo tom leve. Sim, o tom. Os livros não cantam para você? Estranho.

Notas de Liberdade cantou para mim na livraria. Escolher um livro sempre foi um processo longo e demorado. Eu gosto de romances, mas também gosto de aventuras e fantasias. Passo longe do terror, mas até que encaro um suspense. No quesito romance, eu gostaria de falar que sou o tipo de leitora de romances profundos, como os romances russos, mas não sou. Eu gosto de romances água com açúcar. Aqueles previsíveis. Eu gosto de chorar e me sentir acalentada pelo final feliz. Mas também me deixo levar pelos sentimentos do dia quando estou escolhendo o que ler. E por isso digo que o livro cantou para mim.

Quando comprei Notas de Liberdade estava em um dos picos da minha crise de ansiedade. Provas finais de uma faculdade que eu não queria nem ter começado, pressão de ter que prestar OAB, uma viagem internacional complicada em países que, apesar de falar os idiomas (francês e italiano), além do inglês, estaria responsável pela minha vó e mãe, e um território desconhecido para alguém com crises de pânico é sempre assustador. O canto que eu buscava era refrescante, era tranquilo. Era algo para me distrair e acalmar.

O nome, as cores, a promessa de três mulheres diferentes em fases da vida que eu passei foram as características vencedoras. E foi bem mais do que eu precisava.

Tive uma leitura lenta. Logo eu, que leio um livro de 500 páginas em pouco tempo. Não foi porque o livro era maçante, ou porque estava chato. Foi porque eram as doses necessárias para saborear a vida da Mari, Sofia e Luiza.

Ás vezes tenho preconceitos com autores homens que escrevem por meio de personagens femininas e vice-versa. Como autora, eu não consigo escrever sobre esse ponto de vista sem pensar o tempo todo: “será que estou sendo um homem convincente? será que é isso que a personagem pensaria?” – maluco, eu sei, tendo em vista que eu criei aquela personagem! Mas aquele livro cantou para mim. E mesmo eu começando com a ideia de “um homem saberia mesmo escrever bem os sentimentos de uma mulher sem ser clichê?” eu segui.

E logo no segundo capítulo fui fisgada. Primeiro pela Mari.

O Fred teve uma sacada genial em ter três fontes diferentes para as três personagens. E cada letra representava bem a sua dona.

A Mari é uma artista maluquinha sem papas na línguas e que sabe muito bem que, mesmo sem saber se quer, tem que fazer. Ela é independente e feroz, segura e ao mesmo tempo insegura, ela sabe que a vida deve ser aproveitada e também sabe que sua alma de artista te da uma visão a mais do mundo. Eu me identifiquei muito com ela e suas inseguranças sobre viver da sua arte.

A Sofia é uma menina romântica e sonhadora que perdeu alguém e sente um vazio em si. Ela ainda não tem muita noção do seu lugar no mundo, mas o seu romantismo dá uma esperança inocente e refrescante para ela. Ela sabe que quer viver um amor de verdade, mas também sabe que quer viver. Ela quer aproveitar as pequenas coisas, como o cheirinho de bolo caseiro e a chuva na janela. Eu me identifiquei muito com seu romantismo cego e delicioso.

A Luiza é um “mulherão da porra”. Dona de si e da sua marca. Com uma carreira formidável. Ela aproveitou sim, namoricos por ai, mas nunca deixou de lado a sua vontade em ser uma mulher independente e bem sucedida. Mas ela tem suas inseguranças no meio de suas seguranças. Ela tem seus pequenos arrependimentos. Ela tem consciência de que poderia ter feito uma coisa ou outra diferente, mas nem por isso fica remoendo o passado com amargor. Ela olha pelo caminho que passou com admiração por si. Eu me identifiquei com ela por sua personalidade forte e por ela ser sem papas na língua. A Luiza fala o que quer, o que tem vontade.

Meses depois finalmente cheguei ao fim de um livro tão gostoso que não parecia ter começado antes (e parado por motivos de formatura, viagem, lançamento do meu próprio livro). Eu estava presente no livro mesmo estando longe dele por vários dias. O Fred soube capturar as inseguranças dessas mulheres sem cair nos clichês do “ai sou feia, ou, ai preciso casar pra ser alguém”.

As meninas do Fred buscam uma coisa: Felicidade para elas, mantendo sua liberdade.

E a liberdade do título, para mim, é a liberdade de ser quem é. Luiza, Sofia e Mari nunca se desculpam por ser quem são.

Indico de olhos fechados esse livro maravilhoso e delicado, escrito por esse autor brasileiro com tantos sucessos e ainda sim um futuro brilhante pela frente.

Maria Flávia.

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Foto: 1ª foto: Maria Flávia Calil/@os3leitureiros. 2ª foto: Fred Elboni /@fredelboni

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